Proposta de carreira

Proposta de alteração da
CARREIRA ESPECIAL DE ENFERMAGEM


Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

CAPÍTULO I

Objeto e âmbito


Artigo 1.º
Objeto

O presente decreto-lei estabelece o regime legal da carreira especial de enfermagem, aplicável aos trabalhadores enfermeiros em regime de contrato de trabalho nas entidades públicas empresariais e nas parcerias em saúde, em regime de gestão e financiamento privados, integradas no Serviço Nacional de Saúde, incluindo, em ambos os casos, os requisitos de habilitação profissional.

Artigo 2.º
Âmbito

1. O presente decreto-lei aplica-se aos trabalhadores integrados na carreira especial de enfermagem,cujo vínculo de emprego público seja constituído por contrato de trabalho em funções públicas e aos trabalhadores enfermeiros, em regime de contrato de trabalho, nos termos do Código do Trabalho,nas entidades públicas empresariais e nas parcerias em saúde, em regime de gestão e financiamento privados, integrados no Serviço Nacional de Saúde, nos termos dos diplomas legais que definem o regime jurídico dos trabalhadores das referidas entidades.

2. A aplicação do presente diploma aos trabalhadores enfermeiros, em regime de contrato de trabalho,celebrado nos termos do Código do Trabalho, nas parcerias em saúde, em regime de gestão e financiamento privados, integrados no Serviço Nacional de Saúde não prejudica os contratos de gestão já aprovados, bem como os que se encontrem em fase de procedimento prévio à contratação ou em fase de procedimento concursal à data de entrada em vigor do presente decreto-lei.

3. Mediante decreto-lei, o regime aprovado pelo presente diploma poderá ainda aplicar-se a instituições privadas de solidariedade social.

4. O disposto no presente diploma é ainda aplicável aos enfermeiros dos organismos dependentes de outros ministérios ou por eles tutelados onde se encontra prevista a carreira especial de enfermagem.

CAPÍTULO II

Qualificação profissional e áreas de exercício profissional

Artigo 3.º
Qualificação profissional

5. A integração na carreira especial de Enfermagem pressupõe a posse de título profissional de enfermeiro, atribuído pela Ordem dos Enfermeiros ou título de Enfermeiro Especialista na correspondente área de especialidade, obtido nos termos legais aplicáveis.

6. O exercício profissional obriga o enfermeiro a ser portador de cédula profissional válida e a ser titular de seguro de responsabilidade profissional.


Artigo 4.º
Identificação Profissional

No exercício e publicitação da sua atividade profissional, o enfermeiro deve sempre identificar-se pelo título e número de cédula profissional válida.

Artigo 5.º
Áreas de Exercício Profissional

7. A Carreira Especial de Enfermagem aplica-se e organiza-se por áreas de exercício profissional e de cuidados de saúde, nomeadamente as áreas Hospitalar, de Saúde Publica, de Cuidados de Saúde Primários, Cuidados Continuados Integrados; Cuidados Paliativos, Pré-hospitalar, Saúde no Trabalho,Estruturas Residenciais de Idosos, Estabelecimentos prisionais e Estruturas Militares, podendo vir a ser integradas, de futuro, outras áreas.

8. Cada área de exercício profissional tem especificidades relativas á natureza da atividade que desenvolve, podendo impor condições de trabalho apropriadas e formas adequadas de organização objeto de definição em instrumento de regulamentação coletiva de trabalho.

CAPÍTULO III
Estrutura da carreira e conteúdo funcional

Artigo 6.º
Categorias

1. A carreira especial de enfermagem é pluricategorial e estrutura-se nas seguintes categorias:
a) Enfermeiro;
b) Enfermeiro especialista;
c) Enfermeiro diretor.

2. A categoria de Enfermeiro Diretor organiza-se da seguinte forma:
a) Direção Operacional;
b) Direção Intermédia;
c) Direção Institucional.

3. A organização da categoria referida no número anterior, deve estar expressamente prevista na caracterização dos postos de trabalho dos mapas de pessoal dos respetivos serviços ou estabelecimentos de saúde.

Artigo 7.º
Perfil Profissional

1. A carreira especial de enfermagem reflete a diferenciação dos distintos perfis de competências profissionais, inerentes ao exercício do ato enfermeiro.

2. O Enfermeiro é o profissional habilitado para o exercício de Enfermagem, a quem foi atribuído um título profissional que lhe reconhece competência cientifica, técnica e humana para a prestação de cuidados de enfermagem gerais ao individuo, família, grupos e comunidade, nos diferentes níveis de prevenção.

3. O Enfermeiro Especialista é o profissional habilitado para o exercício especializado de Enfermagem, a quem foi atribuído um título profissional que lhe reconhece competência científica, técnica e humana para a prestação de cuidados de enfermagem especializados numa área clínica.

4. Enfermeiro Diretor é o enfermeiro especialista com competência acrescida avançada na área da gestão, certificada pela Ordem dos Enfermeiros, a qual reconhece a competência efetiva no domínio da gestão dos serviços de saúde.

Artigo 8º

 Deveres Funcionais

Os trabalhadores integrados na carreira de enfermagem estão adstritos, no respeito pêla /eges artis, ao cumprimento dos deveres éticos e princípios deontológicos a que estão obrigados pelo respetivo título profissional, exercendo a sua profissão com autonomia técnica e científica e respeitando o direito à proteção da saúde dos utentes e da comunidade, e estão sujeitos, para além da observância do dever de sigilo profissional, ao cumprimento dos seguintes deveres funcionais:
a) O dever de contribuir para a defesa dos interesses do utente no âmbito da organização das unidades e serviços, incluindo a necessária atuação interdisciplinar, tendo em vista a continuidade e garantia da qualidade da prestação de cuidados;
b) O dever de advogar o utente na defesa do direito a decidir e ser devidamente esclarecido sobre os cuidados a prestar e prestados, assegurando a efetividade do consentimento informado.

Artigo 9.º
Conteúdo funcional da categoria de enfermeiro

1- O conteúdo funcional da categoria de Enfermeiro fundamenta-se no perfil de competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais definido pela Ordem dos Enfermeiros, competindo ao enfermeiro as seguintes funções:
a) Identificar e diagnosticar necessidades gerais em saúde do individuo, família, grupos e comunidade;
b) Prescrever intervenções de enfermagem que dão resposta às necessidades em saúde diagnosticadas;
c) Realizar as intervenções de enfermagem autónomas e interdependentes ao indivíduo,família, grupo ou comunidade, no âmbito da promoção da saúde, prevenção e tratamento da doença, promoção do bem-estar e autocuidado, reabilitação e readaptação funcional;
d) Avaliar o resultado das intervenções no que concerne á mudança de status do estado de saúde e ao impacto das intervenções realizadas;
e) Produzir, registar e partilhar informação relativa ao exercício profissional, incluindo a relevante para os sistemas de informação institucionais;
f) Adotar, em situação de crise, o método de trabalho que melhor rentabilize os recursos disponíveis e assegure a qualidade e segurança dos cuidados;
g) Promover e participar em ações de articulação com os diferentes profissionais,serviços/unidades e níveis de cuidados;
h) Desenvolver projetos e participar em programas de melhoria contínua da qualidade;
i) Desenvolve processos de formação continua e colaborar na formação realizada na instituição;
j) Colaborar no processo de ensino/aprendizagem de estudantes da Licenciatura em Enfermagem;
k) Coordenar e supervisionar o processo de ensino/aprendizagem em contexto clinico de outros perfis profissionais, nomeadamente Técnicos Superiores Profissionais, Técnicos Auxiliares de Saúde e Assistentes Operacionais;
I) Participar e colaborar em projetos de investigação institucionais, nacionais ou internacionais.

Artigo 10.º
Conteúdo funcional da categoria de enfermeiro especialista

1. O conteúdo funcional da categoria de Enfermeiro Especialista fundamenta-se nos perfis de competências Comuns e Especificas definidos pela Ordem dos Enfermeiros de cada área de especialização.

2. Para além do conteúdo funcional da categoria de enfermeiro, o Enfermeiro Especialista tem como core de intervenção a prática clínica especializada, pelo que nesta categoria lhe competem as seguintes funções: 
a) Identificar e diagnosticar necessidades em saúde ao individuo, família, grupos e comunidade no âmbito da sua área de especialidade;
b) Planear, coordenar e desenvolver intervenções no seu domínio de especialização ao indivíduo, família, grupo ou comunidade;
c) Prescrever e implementar intervenções de enfermagem especializadas;
d) Monitorizar e avaliar o resultado das intervenções realizadas no que concerne á mudança de status do estado de saúde e ao seu impacto;
e) Coordenar funcionalmente equipas de enfermeiros e equipas multiprofissionais da unidade funcional em função da organização do trabalho;
f) Desenvolver e implementar métodos de trabalho com vista á melhor utilização dos
recursos disponíveis, promovendo a qualidade em saúde;
g) Implementar, avaliar e monitorizar os sistemas de gestão da qualidade relacionados com
a sua área de especialidade;
h) Desenvolver, participar e implementar programas e projetos de melhoria contínua da
qualidade na sua área de especialidade;
i) Integrar grupos de trabalho no serviço e instituição que visem a melhoria da qualidade
do serviço prestado ao cliente;
j) Definir indicadores e medir resultados que permitam avaliar as mudanças verificadas, na
situação de saúde do indivíduo, família ou grupos e comunidade;
k) " Gerir, coordenar e desenvolver formação em serviço, bem como colaborar nos projetos de formação institucionais;
I) Exercer funções de assessoria ou consultadoria de natureza técnico-científica na sua área especialidade;
m) Acompanhar e monitorizar o processo de supervisão clínica de estudantes do curso de Licenciatura em Enfermagem e de outros perfis profissionais;
n) Acompanhar e avaliar o processo de apropriação de competências de enfermeiros em formação pós-graduada em Enfermagem, em contexto académico ou profissional;
o) Desenvolver, participar e cooperar em programas e projetos de investigação relacionados com a sua área de especialidade
p) Integrar júris de concurso de admissão, de recrutamento e de progressão na carreira de enfermagem;
q) Integrar Comissões de Escolha em matérias relacionadas com a sua área de especialidade;
r) Participar nos processos de contratualização inerentes ao serviço ou unidades funcionais e colaborar na determinação do impacto financeiro dos cuidados prestados na sua área de especialização;

Artigo 11.º
Conteúdo funcional da categoria de enfermeiro diretor

1. O conteúdo funcional da categoria de Enfermeiro Diretor fundamenta-se no perfil definido pela Ordem dos Enfermeiros para a competência avançada de gestão.

2. O Enfermeiro Diretor é o enfermeiro especialista com competência acrescida certificada pela Ordem dos Enfermeiros no domínio da gestão.

3. Compete ao Enfermeiro Diretor, em geral, a responsabilidade pelo desenvolvimento profissional das equipas de enfermeiros, pela construção de ambientes favoráveis à prática clinica de enfermagem, pela qualidade e segurança dos cuidados prestados ao cidadão, através da administração de pessoas e serviços.

4. O Enfermeiro Diretor de Serviço assume a direção e gestão operacional de um serviço/unidade assistencial no âmbito dos serviços de enfermagem e restantes serviços de suporte e segurança aos cuidados de saúde, competindo-lhe:
a) Gerir recursos humanos funcionalmente dependentes, cabendo-lhe a responsabilidade de os distribuir e adequar, ao longo do tempo, às necessidades em cuidados dos utentes;
b) Calcular e apresentar proposta fundamentada sobre a dotação adequada de enfermeiros do serviço/unidade assistenciat para assegurar cuidados de enfermagem de qualidade,considerando a complexidade dos cuidados, as condições físicas e de equipamento, o nível de qualificação e o perfil de competências profissionais dos mesmos;
c) Pugnar pelo cumprimento e respeito dos valores, princípios éticos e deontológicos e normas legais em vigor na unidade/serviço que dirige;
d) Salvaguardar que o serviço/unidade assistencial reúne condições ambientais favoráveis a práticas clínicas seguras e de qualidade;
e) Assumir ou delegar a gestão do risco clínico e não clínico do serviço/unidade assistencial;
f) Colaborar na definição de normas institucionais relativas à qualidade em saúde;
g) Desenvolver e monitorizar intervenções que visem a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem;
h) Definir e promover a realização de programas de melhoria contínua da qualidade;
i) Promover a elaboração e atualização de normas de procedimento relativos à atividade assistencial da unidade;
j) Participar na elaboração do plano e relatório anuais do serviço/unidade assistencial;
k) Implementar e avaliar métodos de trabalho que favoreçam um elevado nível de desempenho do pessoal funcionalmente dependente;
I) Avaliar o desempenho do pessoal funcionalmente dependente;
m) Definir, implementar e avaliar estratégias de formação continua e de desenvolvimento do pessoal funcionalmente dependente, nomeadamente o plano de formação anual do serviço/unidade assistencial;
n) Promover, realizar ou colaborar em projetos e programas de investigação;
o) Realizar ou delegar a gestão dos recursos materiais e equipamentos;
p) Participar nas comissões de escolha de material e equipamento, auscultando os utilizadores;
q) Participar na determinação do custo/benefício da atividade assistencial do serviço/unidade.
r) Participar nos processos de contratualização inerentes ao serviço/unidade assistencial.
s) Assegurar a concretização das políticas emanadas pelo órgão de administração da instituição;
t) Exercer funções de assessoria técnica;

5. O Enfermeiro Diretor de Departamento/Unidade de Gestão assume a gestão de um departamento ou conjunto de serviços/unidades assistências, zelando pela sua eficiência, competindo-lhe designadamente:
a) Prestar assessoria ao Administrador Enfermeiro ou equivalente;
b) Colaborar na definição dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem a desenvolver pela instituição;
c) Colaborar na definição das políticas ou diretivas formativas para o setor de enfermagem;
d) Colaborar na definição, implementação e avaliação de indicadores de estrutura, processo e resultado relativos ao desempenho assistencial;
e) Promover estratégias de benchmarking interno;
f) Determinar e propor aos decisores institucionais a dotação adequada de enfermeiros e demais pessoal, para assegurar cuidados de saúde de qualidade, considerando a complexidade dos cuidados, as condições de estrutura, o nível de qualificação e o perfil de competências;
g) Monitorizar e reportar aos responsáveis institucionais a existência de dotações inadequadas de enfermeiros e demais pessoal;
h) Avaliar o desempenho dos Enfermeiros Diretores de serviço/Unidades assistenciais;
i) Participar na avaliação de desempenho, na qualidade de co-adjutor;
j) Elaborar o plano e relatório de atividades, em articulação com os respetivos enfermeiros diretores, do Departamento ou conjunto de unidades assistenciais;
k) Supervisionar a implementação de processos de melhoria contínua da qualidade;
I) Participar nas comissões de escolha;
m) Propor áreas prioritárias de investigação;
n) Participar em estudos de custo/benefício;
o) Promover a concretização das políticas ou diretivas aprovadas pelo órgão de administração.

6. O Administrador Enfermeiro assume a coordenação técnica da atividade de enfermagem do estabelecimento ou instituição, velando pela sua qualidade e, sem prejuízo do disposto em sede do regulamento interno, compete-lhe designadamente:
a)Integrar o órgão de Administração;
b)Presidir á Direção de Enfermagem;
c)Participar na definição, implementação e avaliação de políticas de saúde;
d)Definir a missão, visão e estratégia anual para a área clínica de enfermagem;
e)Coordenar a elaboração dos planos de ação, no âmbito dos serviços de enfermagem, anuais e plurianuais a integrar no plano de ação global do estabelecimento ou serviço;
f)Participar na definição e implementação de sistemas de informação institucionais;
g)Participar em processos de contratualização interna e externa;
h)Coordenar estudos de custo/benefício no âmbito de enfermagem;
i)Definir padrões de qualidade institucionais e indicadores de avaliação dos cuidados de enfermagem;
j)Definir, implementar e avaliar indicadores de estrutura, processo e resultado relativos ao desempenho assistencial;
k)Propor medidas necessárias à melhoria das estruturas organizativas, funcionais e físicas das unidades assistenciais, dentro de parâmetros de eficiência e eficácia reconhecidos;
l)Assegurar a dotação adequada de enfermeiros nos diferentes serviços/unidades assistências;
m)Colaborar na definição dos mapas de pessoal e apresentar propostas de alteração;
n)Coordenar os processos de admissão e mobilidade dos enfermeiros, no respeito pela lei vigente e normas definidas nos acordos coletivos de trabalho;
o) Avaliar o desempenho dos Enfermeiros Diretores de Departamento/Unidade de gestão;
p) Decidir sobre conflitos de natureza técnica decorrentes da ação clínica dos enfermeiros;
q) Definir as políticas ou diretivas formativas para o setor de enfermagem;
r) Definir a política e as áreas prioritárias de investigação em enfermagem;
s) Participar em redes do conhecimento e estimular a prática baseada na evidência.

Artigo 12º
Grau de complexidade funcional

O exercício profissional dos Enfermeiros é classificado como grau 3 de complexidade funcional.

CAPÍTULO IV
Condições de admissão, acesso e progressão profissional

SECÇÃO I
Admissão na carreira

Artigo 13.º
Admissão

1. A Admissão na carreira de enfermagem faz-se:
a) Pela categoria de enfermeiro;
b) Pela categoria de enfermeiro especialista;
c) Pela categoria de enfermeiro diretor.

SECÇÃO II

 Acesso à carreira

Artigo 14.º
Condições de acesso

1. O acesso à categoria de enfermeiro faz-se de entre os detentores do título profissional de Enfermeiro atribuído pela Ordem dos Enfermeiros.

2. O acesso à categoria de enfermeiro especialista faz-se de entre os enfermeiros detentores do título profissional de Enfermeiro Especialista, com pelo menos 4 anos de exercício profissional como enfermeiro.

3. O acesso à categoria de enfermeiro diretor está subordinado à detenção da competência acrescida avançada em gestão atribuída pela Ordem dos Enfermeiros e faz-se de entre os enfermeiros especialistas com 10 anos de exercício profissional, dos quais pelo menos 3 como enfermeiro especialista.

4. O acesso aos cargos de enfermeiro diretor de departamento/Unidade de Gestão e de Administrador Enfermeiro faz-se de entre os enfermeiros diretores com pelo menos 5 anos de exercício profissional na categoria.

5. Os enfermeiros integrados na carreira docente podem candidatar-se a concursos para as categorias da presente carreira, desde que sejam detentores das habilitações e condições exigidas para cada categoria.

Artigo 15.º
Recrutamento

1. O recrutamento para os postos de trabalho correspondentes á carreira especial de enfermagem, nas categorias de enfermeiro, enfermeiro especialista e enfermeiro diretor é feito mediante procedimento concursal.

2. Os requisitos e os trâmites de candidatura aos concursos previstos no número anterior são aprovados por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da Saúde e das Finanças.

3. Na sequência do procedimento concursal previsto no número 1, a determinação do posicionamento remuneratório do candidato realiza-se nos termos legais vigentes.

4. Até á aprovação da portaria prevista no nº 2, aplica-se o regime previsto no capítulo IV do Decreto-lei nº 437/91, de 8 de Novembro.

Artigo 16º
Período experimental

1. O período experimental dos contratos por tempo indeterminado tem a duração de 90 dias.

2. A duração do período experimental pode ser reduzida por instrumento de regulamentação coletiva de trabalho.

3. Durante o período experimental o contrato pode ser rescindido por qualquer das partes, sem préaviso, não havendo lugar a sanção ou indeminização.

4. Quando a admissão se torna definitiva, a antiguidade é contada desde o primeiro dia do períodoexperimental.

5. Considera-se cumprido o período experimental a que se refere o número um sempre que o contrato tenha sido imediatamente precedido da constituição de um vínculo, no mesmo serviço ou instituição e para o desempenho das mesmas funções na modalidade de contrato a termo resolutivo, certo ou incerto, cuja duração tenha sido igual ou superior a 90 dias.

SECÇÃO III
Progressão na carreira

Artigo 17º
Progressões

1. A progressão a categoria superior faz-se da seguinte forma :
a) Para o 1º escalão remuneratório da categoria para a qual se faz a promoção;
b) Para o escalão que corresponda ao índice superior mais aproximado na estrutura remuneratória da categoria, se o interessado vier já auferindo remuneração igual ou superior à do escalão 1, ou para o escalão seguinte, sempre que a remuneração que caberia em caso de progressão horizontal na categoria anterior fosse superior.

2. A progressão vertical na Carreira Especial de Enfermagem efetua-se com a mudança de escalão ou nível de remuneração base em cada categoria.

3. A mudança de nível na mesma categoria processa-se automaticamente e produz efeitos decorridos quatro anos de permanência no escalão anterior, desde que a avaliação de desempenho seja positiva.

4. A avaliação de desempenho negativa determina a neutralização do tempo a que se refere, para contagem do tempo para efeitos de progressão de nível remuneratório.

5. As progressões são limitadas ao número de escalões propostos para cada categoria.

6. A contagem do tempo de serviço inicia-se a partir do 1.º dia de funções de enfermeiro, contínuas ou descontínuas, seja qual for o tipo de vínculo.

Artigo 18º
Reconhecimento pela aquisição do Grau Académico de Doutor

A aquisição do Grau Académico de Doutor por enfermeiro integrado na Carreira Especial de Enfermagem determina a progressão imediata correspondente a dois níveis remuneratórios acima do posicionamento detido pelo titular.

SECÇÃO IV
Cargos de gestão intermédia e direção

Artigo 19.º
Nomeação para Enfermeiro Diretor de Departamento

1. O Enfermeiro Diretor de Departamento/Unidade de Gestão é nomeado pelo órgão de administração,sob proposta da Direção de Enfermagem, em comissão de serviço, com a duração de três anos,renovável por iguais períodos.

2. A renovação da comissão de serviço está dependente da apresentação de um programa de ação futura de continuidade, a apresentar até 60 dias antes do seu termo, o qual carece de apreciação obrigatória do nível de cumprimento de objetivos, a efetuar pelos superiores hierárquicos, até 30 dias após a sua receção.

3. A comissão de serviço cessa, a todo o tempo, por iniciativa do órgão de administração ou do trabalhador, com aviso prévio de 60 dias, mantendo-se o seu titular em exercício efetivo de funções até que se proceda &agrav

 Artigo 20.º

Nomeação para Administrador Enfermeiro

1. O Administrador Enfermeiro é nomeado, em comissão de serviço nos termos legais aplicáveis pelo estatuto do gestor público e demais legislação aplicável aos dirigentes dos serviços e organismos da administração central.

2. O exercício das funções referidas no número 1 não impede a manutenção da atividade de prestação de cuidados de saúde por parte dos enfermeiros, mas prevalece sobre a mesma.

Artigo 21.º

Contagem de tempo de serviço

1. O tempo de serviço prestado nos cargos de Enfermeiro Diretor de Departamento e Administrador Enfermeiro é contado para efeitos de progressão na categoria de origem.

 2. O cumprimento integral do mandato nos cargos referidos no número anterior determina, o posicionamento no índice remuneratório imediatamente superior ao que era detido à data da nomeação.

Artigo 22.º
Suplemento Remuneratório

1. O exercício, em comissão de serviço das funções de Enfermeiro Diretor de Departamento, previstas no nº 5 do artigo 11º, confere o direito à remuneração base do trabalhador, acrescida de um suplemento remuneratório de 500€, a abonar nos termos da alínea b) do n.º 3 e dos nº' 4 e 5 do artigo 73.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, sem prejuízo das atualizações salariais gerais anuais.

2. O Administrador Enfermeiro é posicionado no índice remuneratório, de entre os previstos para o referido cargo no regime jurídico do gestor público, a que corresponda a remuneração imediatamente superior à que é devida ao respetivo titular na respetiva categoria de origem, salvaguardando um impulso salarial não inferior a 2 escalões.

CAPÍTULO V
Do procedimento concursal

 Artigo 23.º

Da regulamentação

1. O recrutamento para os postos de trabalho, no âmbito da carreira especial de enfermagem, incluindo mudança de categoria, efetua-se mediante procedimento concursal.

2. Os requisitos de candidatura e a tramitação daqueles procedimentos concursais são regulados por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da Saúde e das Finanças.

CAPÍTULO VI
Desenvolvimento profissional

Artigo 24º
Formação profissional

 1. A formação dos trabalhadores enfermeiros integrados na carreira especial de enfermagem assume caráter de continuidade e prossegue objetivos de atualização técnica e científica, de desenvolvimento profissional individual e de desenvolvimento de projetos de investigação.

 2. A formação profissional deve ser planeada e programada, do modo a promover o desenvolvimento profissional individual e coletivo, a qualidade do exercício profissional, a interdisciplinaridade e a prestação de cuidados de saúde seguros e de qualidade ao cidadão.

3. A frequência de formação pós graduada ou de atualização profissional com vista ao aperfeiçoamento,diferenciação técnica, aquisição de novas competências ou desenvolvimento de projetos/programas de investigação, dá direito, mediante licença sem perda de remuneração, a um período não superior a 15 dias úteis por ano, ou nos termos que venham a ser definidos por instrumento de regulamentação coletiva de trabalho.

4. A entidade empregadora pode atribuir a licença prevista nos termos do número anterior por um período superior a 15 dias úteis, desde que a proposta se encontre devidamente fundamentada e a formação se revista de interesse para os serviços.

5. A atribuição referida no número anterior deve observar os princípios de igualdade de tratamento e de oportunidade dos trabalhadores e a definição dos requisitos e de tramitação em regulamento próprio.

 Artigo 25º

Avaliação de desempenho

1. A avaliação de desempenho dos trabalhadores integrados na Carreira Especial de Enfermagem deve ser promotora do desenvolvimento profissional e regulamentada por portaria conjunta dos membros do governo responsáveis pelas áreas da saúde e das finanças.

2. A avaliação de desempenho dos enfermeiros assenta nos seguintes princípios:
a) Os enfermeiros são avaliados exclusivamente por enfermeiros;
b) Os enfermeiros são avaliados por critérios fundamentados no perfil de competências correspondente ao título profissional que detêm, no conteúdo funcional da categoria em que se encontram colocados e em critérios organizacionais;

3. O processo de avaliação de desempenho referido no número anterior é objeto de regulamentação em instrumento de regulação coletiva de trabalho.

CAPÍTULO VII
Das remunerações

Artigo 26º
Posições remuneratórias

 1. A cada categoria da carreira especial de Enfermagem corresponde um número variável de posições remuneratórias, as quais constam do anexo ao presente decreto-lei, do qual faz parte integrante.

2. A determinação do posicionamento remuneratório nas categorias de recrutamento é objeto de negociação, nos termos legais vigentes, designadamente por negociação coletiva de trabalho.

3. A alteração da posição remuneratória em cada categoria faz-se tendo em conta o sistema de avaliação de desempenho aplicável aos trabalhadores integrados na carreira especial de Enfermagem, com as exceções previstas no presente decreto-lei.

Artigo 27.º
Remunerações

As remunerações dos trabalhadores integrados na Carreira Especial de Enfermagem são fixadas em Instrumento de Regulamentação Coletiva de Trabalho.

 

CAPÍTULO VIII
Normas de transição
( ... )

CAPÍTULO IX
Disposições finais
Artigo ( ... ).º

Âmbito de aplicação dos capítulos
Artigo ( .. .).º
Entrada em vigor

 

 

 

 

 

 

 

 

Proposta de Tabela Remuneratória